Como objetos de comparação para a discussão sobre a adaptação e sobre como a tradição pode ou não influenciar nisso, um objeto artesanal e um industrializado foram pesquisados. Veja como eles se adaptaram ao longo do tempo.
As modificações sofridas pelos artefatos acontecem de forma diferente dependendo do seu processo de produção, das pessoas que trabalham e se dedicam a esses
objetos. Os instrumentos musicais feitos por luthiers têm seu processo de produção todo manual e acabam envolvendo normalmente uma única pessoa.
No caso do violoncelo, o primeiro exemplar partiu de modificações feitas em uma viola e seus moldes eram bem diferentes dos cellos de hoje. Por serem usados em procissões da igreja eles possuíam alças, assim podendo ser tocados suspensos e, além disso, eram maiores que o normal. Com o tempo ele passou a ser usado para concertos e festas, o que levou os músicos a contratarem luthiers que adaptassem o instrumento para algo mais prático e com melhor sonoridade.
Após esse período o instrumento sofreu poucas modificações e até hoje os profissionais da área seguem os moldes desenvolvidos por
Stradivari, acreditando ser o molde perfeito. Isso nos leva a perceber que em objetos onde uma forte tradição está envolvida a evolução é bem mais lenta.
A partir do luthier
Alberto Vicente, pode-se perceber que os violoncelos atuais sofrem pequenas modificações graças a detalhes como o verniz, porém os próprios profissionais não percebem e até mesmo negam ter ocorrido alguma evolução. Além dos convencionais violoncelos, usados em orquestras, atualmente podemos verificar que existe o
violoncelo elétrico, que não necessita de caixa acústica e seu corpo tem formas e cores variadas. Esses violoncelos são usados em bandas contemporâneas como o
String Fever.
O primeiro ventilador mecânico surgiu a partir da aplicação dos leques convencionais presos por uma haste que se movia devido ao movimento de algumas roldanas. Entre 1882 e 1886, o Dr.Schuyler Skaats Wheeler desenvolveu o ventilador de mesa com duas pás, uma espécie de ventilador elétrico particular.
Em 1882, Philip H. Diehl, que é considerado o pai do ventilador moderno, inventou o ventilador de teto: continham pás de latão, e vários deles também possuíam uma grade do mesmo material, que apesar de serem bem construídas internamente, estavam bem distantes de serem seguras: vários dos ventiladores tinham uma abertura grande o suficiente para se colocar uma mão ou até um braço. Com os avanços industriais, o metal pôde ser produzido em série e com formas diferentes, baixando assim o preço dos ventiladores e permitindo que moradores comuns pudessem comprá-los. A partir da década de 70 o ventilador de teto no estilo vitoriano se tornou popular.
Após muitos anos, esse modelo de ventilador ainda era utilizado e várias empresas fabricavam praticamente o mesmo modelo. A partir disso, o designer
Guto Índio da Costa, desenvolveu um projeto que modificou totalmente as formas convencionais dos ventiladores de teto. O Spirit, nome relacionado com o avião
Spirit of Saint Louis, de
Charles Lindbergh, tem apenas duas pás (assim como o avião de Lindbergh, que tem duas hélices) e proporciona até 30% mais eficiência do que os ventiladores vitorianos.
É possível perceber como a evolução acontece de formas diferentes dependendo do processo de cada profissional